14.07.11 | QUERO TROCAR DE PROFISSÃO. E AGORA?
Em Experiências
Pois é, boa pergunta. E agora? Quando uma ideia dessas não sai de nossa cabeça, a situação fica delicada e merece ser analisada com cuidado. Ainda mais quando você acha que já passou da idade de experimentar novos rumos profissionais ou não pode colocar a sua renda em risco porque tem filhos para criar. Receios e medos à parte, muitas pessoas conseguem, sim, seguir o coração e sobreviver a essa reviravolta com êxito.
É o caso da doceira Luciana Luzio D´Agosto. Engenheira química por formação “e não por vocação” (como ela mesma diz), chegou a atuar na área por três anos, mas não deu continuidade à carreira. “Eu acreditava que engenharia era uma profissão promissora e com ótimo retorno financeiro, só que vi que não era a minha praia logo no primeiro semestre da faculdade. Por insistência da família, me formei e trabalhei na área por três anos. O nascimento do meu primeiro filho foi um excelente pretexto para abandonar a engenharia e dar uma guinada na vida.”
Como ela sempre gostou de inglês e era fluente na língua, foi dar aulas particulares. “Sendo professora de idiomas, eu teria mais flexibilidade de horário e disponibilidade para a família”, explica. E assim foi durante 11 anos. Teria sido perfeito se, nos últimos anos, ela não tivesse começado a dar aulas em uma grande escola de idiomas. “Estava em um ritmo alucinado de trabalho, até que engravidei de minha segunda filha. Nessa época, o meu filho ficava todas as tardes sozinho em casa. Foi um período difícil, de muita reflexão. Sabia que aquele ritmo era incompatível com um bebê e uma criança, mas o salário e os benefícios que recebia eram excelentes!”
Não foi fácil, mas ela teve que pedir demissão. Foi quando passou a se dedicar a uma antiga paixão. “Faço doces desde que me conheço por gente. Mesmo trabalhando loucamente, encarava isso como uma terapia, uma quebra da rotina e os meus doces sempre foram muito elogiados. Assim comecei com a minha própria experiência, o profissionalismo veio com o tempo. Conforme os clientes foram aparecendo e os pedidos aumentando, senti a necessidade de fazer cursos para me atualizar, me aprimorar e aprender novas técnicas.”
Luciana demorou cerca de um ano e meio para formar clientela e ter um bom fluxo de trabalho. “Como eu não conhecia ninguém da área, achei que a melhor forma de divulgar o que fazia seria pela internet. Montei um blog, entrei no Twitter e no Facebook e o meu trabalho começou a ser conhecido”, conta.
Será que em algum momento ela se arrependeu? “Nunca! Minhas mudanças sempre foram para melhor porque sempre foram norteadas pelo amor. Hoje acho que foi a melhor coisa que fiz. A minha filha tem 3 anos, é linda, feliz e supersaudável. Meu filho, hoje com 14 anos, é centrado, companheiro e amigo. Não me arrependo de ter pedido demissão do meu ´emprego dos sonhos´.”
E assim também foi com Juliana Zugaib, que mudou de profissão diversas vezes. Enquanto Luciana terminou por transformar um hobby em “ganha-pão”, Juliana aproveitou quase todas as oportunidades que surgiram em seu caminho e mergulhou de cabeça em cada uma delas. Formada em desenho industrial e hotelaria, trabalhou durante muitos anos em grandes hotéis dentro e fora do Brasil. “Aprendi muito na vida de hoteleira, mas depois de um tempo tive uma crise de pânico e vi que não podia continuar trabalhando todos os feriados e com um turno ´normal´ de 14 horas por dia.”
Foi então que surgiu uma outra oportunidade. “Do nada recebi uma proposta para trabalhar como designer gráfica em uma empresa onde fiquei por quase sete anos. Adorei! Lá descobri talentos em mim que nunca imaginei que existiam. Como eu fazia um pouco de tudo, inclusive atendimento a clientes, acabei indo para esse lado. Senti que precisava mudar de novo e procurei novas oportunidades.”
O resultado disso é que, há um ano e meio, ela deixou de ser designer para atuar como executiva de contas em uma grande agência de branding e design. “Juntei todas as experiências anteriores em meu favor. Como hoteleira, sei como ninguém receber e me portar com clientes. Como designer, entendo do negócio que vendo como ninguém. Na minha avaliação de final de ano recebi a nota máxima entre todos da área de atendimento. Acho que estou no caminho certo, mas nunca deixo de escutar novas oportunidades.”
E a velha pergunta, existe idade limite de idade para trocar de profissão, ela ainda não se calou? Juliana, hoje com 36 anos, responde: “Não existe! Profissão é uma parte da sua vida, não resume quem você é. Novas experiências te enriquecem, aprendemos coisas novas todos os dias. A minha vida está sempre em Beta e pronta para mudanças, não importa quando. A necessidade de mudar é uma característica maravilhosa que não pode ser desperdiçada!”.
Antes da reviravolta, reflita!
Será que você está preparado para isso? Confira as dicas que a analista de recursos humanos, Paula Angelotti Pereira, preparou para você.
- Questione-se: por que você deseja mudar e o que busca? Estilo de vida diferente? Outra atividade? Tem novas ambições?
- Sempre valorize as experiências anteriores e transforme-as em um diferencial. Mesmo acreditando que áreas diferentes não possam ter relação, ao longo do tempo é possível identificar semelhanças e ver que uma pode complementar a outra sinergicamente.
- Procure se atualizar sobre a área que pretende ingressar por meio de artigos, cursos introdutórios e pesquisas em geral. Hoje em dia, a disponibilidade de cursos online está crescendo e, muitas vezes, eles apresentam um custo mais acessível do que os presenciais, podendo ser até gratuitos. Dependendo da área de interesse, existem instituições ou organizações específicas que oferecem cursos profissionalizantes. Conversar com profissionais da área também pode auxiliar.
- Não desanime diante do processo de mudança profissional. Estar aberto aos desafios característicos da nova área é muito importante. Todo processo de mudança exige um período de adaptação. Não tenha medo de errar!
- Identifique os seus pontos fortes e veja o que pode ser melhorado dentro das competências técnicas exigidas na nova área. Também identifique quais de suas competências pessoais poderão agregar em sua nova escolha.
- Esteja disposto a aceitar um salário menor no início, até conseguir adquirir mais experiência.
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